Chuva
Conduzia, dirigia-me a casa, sinto a chuva como em mim me molhasse, era noite,
é noite tão escura que duvidei se seria noite ou se seria um estado de espírito que por momentos me assolou, ao longe as luzes da cidade, é a minha, é a minha cidade, poderia ser uma outra qualquer sem que alguém se apercebesse se seria a minha ou uma outra qualquer.
A chuva continua… o limpa pára brisas movimenta-se indiferente ao toque da chuva, estou do outro lado, do lado de cá, dentro, no rádio toca algo que não consigo ouvir, não consigo escutar, a chuva abstrai-me, fala mais alto, mais profundo que qualquer música ou som conjugado de forma a se poder chamar música, a chuva toca-me de uma forma que abstrai-me…
e o vento ?
Hélio Félix


