Jorge Molder
Tive a oportunidade de visitar a exposição do artista fotógrafo Jorge Molder no Espaço Chiado 8, pela primeira vez
Jorge Molder expõem a série ‘Pinocchio’, 28 imagens que surgiram como registo documental sobre o processo de moldagem para duas instalações que exibiu em Espanha.
Recomendo uma visita Espaço Chiado 8 de forma a que possam conhecer esta série de Jorge Molder, ‘Pinocchio’.
ESPAÇO FIDELIDADE MUNDIAL CHIADO 8 – ARTE CONTEMPORÂNEA
Largo do Chiado, 8
1249-125 LISBOA
“Jorge Molder
Nascido em 1947, formado em Filosofia, Jorge Molder é um artista que fotografa e assim exprime a duplicidade, servindo-se não só da fotografia, como do próprio corpo – o resultado é, podemos dizê-lo, uma ficção e não um auto-retrato, uma possível referência a um qualquer aspecto (o dia-a-dia, o cinema, a literatura…) que, mesmo que surja sequenciado, não busca necessariamente a constituição em forma narrativa. A duplicidade surge também na construção/ recepção da fotografia: por um lado, a simplicidade no modo como o conceito transmitido é construído: um artista que se fotografa a si mesmo; por outro, a complexidade do sentido que as imagens pretendem veicular.
Jorge Molder realizou várias exposições nacionais e internacionais, individuais e colectivas. Actualmente reside e trabalha em Lisboa.”
“Sobre a série ”Pinnochio”:
No que se refere à série “Pinocchio” será decisivo reconhecer que sobre a superfície de uma máscara, de qualquer máscara, se fixa apenas uma expressão, facto que tem implicações evidentes no trabalho de Jorge Molder.
Confrontado com a imutabilidade deste rosto (de resto, como de qualquer outra parte do corpo replicado), o artista saberá que lhe está vedado o acesso à sua habitual fonte expressiva. Mas parece ser precisamente aqui que se joga o desafio de “Pinocchio” e se concretiza, em grande medida de forma inédita, a transferência do protagonismo que a performatividade do duplo assumia em muitas das séries anteriores para a performatividade do fotógrafo. Face a um duplo inerte, a um corpo que não responde, é toda a dimensão (visual e corporal) da perturbadora experiência do encontro do artista com uma réplica de si mesmo que congrega o potencial emotivo desta série.
No fundo, este poderá ser um exercício de resistência face à vertigem do abismo. Talvez seja por isso que o silêncio parece pairar sobre estas obras; um silêncio claro enquadrado pelo olhar de Molder que, debruçando-se sobre a escultura de si, lhe arranca registos que viajam entre a mera circunspecção e o pavor contido, entre o desalento e a perseverança.”












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