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Transcrição de uma entrevista dada à Jornalista Joana Cruz para o on-line da VogueNoiva, o recordar de um início de carreira ligado à fotografia de noiva, sentindo desta forma como o tempo passa por nós, passaram 10 anos desde que fiquei fascinado pela fotografia e pela imagem em si.Está de parabéns a jornalista Joana Cruz e o projecto VogueNoiva-BridePaper
“A noiva tem o brilho do dia”
Posted on Terça-feira, Junho 30, 2009 No Comments
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Entrevista a Hélio P. Félix:
“A noiva tem o brilho do dia”
Por Joana Garcia da Cruz para VogueNoiva-BridePaper
Hélio P. Félix entrou no mundo da fotografia seduzido pelo poder que as imagens desde sempre exerceram na sua vida.
Uma experiência de trabalho em vídeo, pela mão de um amigo, estimulou-o a descobrir mais sobre a fotografia. Actualmente com 34 anos, e uma carreira de quase uma década como fotógrafo profissional, possui um estatuto reconhecido no meio, fruto do árduo trabalho que dedica a cada projecto.
Iniciou a sua formação no Instituto Português de Fotografia, destacou-se na fotografia de casamentos, actualmente marca a diferença na moda mas é com os olhos postos na sétima arte que nos concede esta entrevista.
Num dos terraços da Universidade Lusófona, onde frequenta o primeiro ano da licenciatura de cinema, Hélio P. Félix partilhou vivências e histórias de uma carreira entre flashes.
Como começou o seu caminho enquanto fotógrafo profissional?
Iniciei a minha formação enquanto fotógrafo no Instituto Português de Fotografia (IPF), há cerca de 8 anos. Desde então, tenho vindo sempre a apostar no meu conhecimento dentro desta área, através de formação específica, workshops, etc. Actualmente, a par do meu trabalho enquanto fotógrafo profissional, frequento o curso de cinema que, no fundo, não é mais do que a continuação da minha formação dentro da imagem, dentro da fotografia.
Na verdade, antes do curso de fotografia comecei a colaborar com um colega meu que fazia vídeo, reportagem em vídeo. Depois desta experiência percebi que realmente tinha ganho gosto pela imagem, o que me levou a fazer o curso de fotografia no IPF e, a partir desse momento, foi um crescente em termos de trabalho.
Depois do curso começou a carreira com a fotografia de casamento…
A verdade é que, quando acabamos um curso de fotografia, percebemos que realmente fazer fotografia é algo muito caro. Hoje em dia, devido ao digital, já não é tanto mas há quase 10 anos atrás, era….
Mas o que o levou a apostar nesta área específica?
Naquela época, uma das formas que encontrei de rentabilizar a fotografia e o curso em que tinha investido foi a reportagem social. Fotografia de casamentos, para ser mais específico. Entretanto, logo após ter terminado o curso, fui convidado para montar um atelier e tudo caminhou nesse sentido. É claro que havia um profundo gosto por este tipo de trabalho, que aumentou à medida que me ia dedicando mais ao mundo das noivas e dos casamentos, do qual já tinha alguma experiência através de algumas colaborações em regime freelancer com colegas meus. Na altura, foi um projecto que correu muito bem. Tive o meu primeiro atelier no Barreiro, depois tive um outro no Saldanha… A verdade é que há 8 anos atrás, a reportagem social de casamento era muito limitada. Era uma espécie de “chapa 5”. Como eu não tinha a preocupação de vingar naquela área específica, limitava-me a fazer o trabalho de uma forma descontraída. Funcionou muito bem. Tive muita receptividade face ao meu trabalho.
Considera que marcou uma certa “ruptura” com o que se fazia na altura?
Eu diferenciei-me porque não me cingia à pose. O meu estilo era mais a foto-reportagem. Eu fazia o trabalho com tanto gosto que, para mim, era indiferente ser um casamento. O importante era a minha dedicação e a receptividade do meu trabalho, o que fazia com que as coisas funcionassem. Montei um site, e convém recordar que na altura não haviam muitos sites de fotografia, o que acabou por ser uma mais-valia para a minha profissão. Penso que foi um conjunto de elementos que levaram a que tivesse algum sucesso dentro desta área.
Teve algum trabalho nesta área que o tivesse marcado particularmente?
Tive. Tive vários… É difícil recordá-los nesta nossa conversa mas criei sempre grandes relações de proximidade. Eu baseava-me muito nisso para a fotografia. Nestes meus trabalhos com as noivas, eu iniciava a relação quase um ano antes do casamento. Havia contactos e trabalhos em que 10 a 11 meses antes já se estava a fotografar. A fazer umas brincadeiras, uns testes… Ou seja, quando chegava o grande dia, eu já não era uma pessoa estranha no ambiente. Até com os pais havia essa relação! Normalmente, virava-me mais para o lado da noiva, porque inegavelmente a noiva tem o brilho do dia. O casamento é a noiva! E o trabalho de fotografia é muito envolvente…
O que é que uma noiva deve ter para que o trabalho final possa resultar?
Naturalidade. Algo que é difícil… A noiva deve ser o mais natural possível e tem de haver obrigatoriamente, na minha visão, uma inegável cumplicidade com o fotógrafo.
Depois de uma ausência nesta área, agora voltou ao “activo” com esta recente colaboração com o projecto VogueNoiva…
Sim, pode-se dizer que sim mas de uma forma diferente. Para este projecto a proposta que me foi feita, foi a fotografia de noiva mas uma fotografia de noiva estilizada em moda.
E quais são as características desse tipo de fotografia?
É uma fotografia muito livre, muito limpa e que foge por tendência sempre aquilo que está padronizado. Dentro de uma iluminação própria…
Mas está a falar de um ambiente que é criado?
Sim, um ambiente que é criado. Embora isso possa também ser transportado para a reportagem. E hoje está-se a voltar muito… Na minha visão, houve uma fase da fotografia de noiva em que tivemos durante anos aquele tipo de foto em que, abrir um álbum hoje é igual ao abrir do álbum dos nossos pais … É claro que ainda existe esse tipo de fotografia mas depois entrou-se na loucura da foto-reportagem e, neste momento, penso que é neste patamar que nos encontramos ao nível da fotografia de casamentos. Hoje em dia, o que se pretende é uma reportagem fluida do dia do casamento e está-se a criar uma espécie de sessão fotográfica para os casamentos.
Mas refere-se ao facto de, hoje em dia, existir uma tentativa de minimizar ao máximo o tempo de pose que é exigido aos noivos no dia do casamento?
Sim. No dia do casamento constrói-se a reportagem e depois, por opção, dos noivos pode-se fazer um trabalho mais estilizado dentro da moda ou um trabalho mais específico.
Como é que encara o projecto VogueNoiva do ponto de vista da fotografia?
Acho que é um desafio muito grande. É um desafio fotografar com a chancela da VogueNoiva e tentar inovar numa área em que já está tudo inventado. Em que já está tudo feito. Obviamente, tentando “fugir” um pouco ao que já se faz. Considero este projecto um desafio mas penso que é esta a forma com que encaro tudo na minha vida e não só na fotografia. Como fotógrafo ou em fotografia, melhor dizendo, o objectivo é criar o nosso cunho pessoal. O objectivo consiste em conseguir identificar numa série de imagens, o trabalho de determinado fotógrafo. Quando se consegue isso, é sinal de que se está no caminho certo. E não é só atingir esse cunho, é atingi-lo e depois torná-lo homogéneo em todos os teus trabalhos.
Possui uma experiência inegável nesta área do casamento, se pudesse falar com um jovem fotógrafo que quisesse enveredar por este caminho, que conselhos lhe dava?
Para seguir só se realmente gostar. Aliás, essa é a minha máxima para tudo na vida. É uma área em que ganhei gosto. Ganhei muito gosto, na altura. Este é um trabalho muito exigente e se não houver gosto, tudo fica mais difícil. E além disso, a fotografia tem uma coisa muito boa, pois tudo o que tu faças, o sentido com que fazes as coisas e a dedicação que colocas nesta arte é visível no resultado da própria fotografia. Isso transparece nas imagens. O teu empenho, o teu gosto… Não transparece só quem está a ser fotografado mas também a alma do fotógrafo.
Na sua opinião o que é que um álbum de casamento deve conter?
Em primeiro lugar, deve contar uma história. Deve ser autêntico! Deve ser construída uma história no álbum e deve haver disponibilidade de quem casa para conseguir fazer essa história. O que nem sempre é fácil…
Que sugestões daria a uma noiva, no que diz respeito à escolha do fotógrafo para o seu casamento?
Em primeiro lugar, os noivos devem escolher realmente o que gostam, dentro da inúmera oferta que existe. Ter a certeza do que querem e do caminho que querem seguir. É importante não ir por modas. Porque a foto reportagem é que é gira, vamos lá! Não deve ser assim! A noiva ou os noivos, já que esta deve ser uma decisão conjunta, devem estar cientes dos seus gostos. Na minha opinião é importante que a escolha de um profissional de fotografia passe pela cumplicidade. O fotógrafo não deve ser um elemento estranho no ambiente, precisamente para que no dia as coisas funcionem.
E como é que uma noiva se pode aperceber se essa cumplicidade existe ou não?
Só com o tempo. Eu não concebo um casamento sem um contacto trabalhado anteriormente.
Está a querer dizer que essa relação de cumplicidade é descurada?
Acontece muito. Acredito que haja quem não deixe isso acontecer mas… Acontecia muito e acredito que ainda acontece porque para ter tempo de criar essa relação forçosamente tem de se abdicar de trabalho. Outro factor importante é o orçamento. Sem dúvida! Normalmente um bom serviço está associado a um preço alto e, nesta área, há um intervalo muito grande no que diz respeito a preços. Aqui ao lado pedem 200 euros e noutro local podem pedir 5 mil! Quem vai casar, tem de escolher e ponderar muito bem esta escolha.
A qualidade paga-se?
A qualidade paga-se. E no caso da fotografia faz a diferença. Porque o que é cobrado não é o valor das fotos, pois o valor material delas é mínimo. O que é cobrado é o conceito da pessoa que lá vai fotografar e todo o seu conhecimento. Isso é que vale! Porque ao nível material, as fotografias valem o que valem…
Considera que um álbum de casamento é o melhor meio de manter eterno este momento tão importante na vida dos noivos?
Na minha opinião é muito importante, porque a fotografia tem uma coisa única… A fotografia quando é tirada, hoje, tem um valor e com o passar do tempo vai ganhando outro. Ouvi muitas noivas dizerem-me que o álbum estava lá em casa fechado numa gaveta e que nunca mais o viram. Daqui a 20 ou 30 anos, aquele álbum vai ter um valor incalculável. Ainda hoje, há pessoas que me dizem que estiveram a rever as fotografias, entregues às recordações e, em última instância, esta é a minha maior recompensa enquanto fotógrafo.
O que quer expressar através da fotografia?
Eu procuro a liberdade, o tal achar o caminho… Eu achei-o numa certa altura com as noivas e a fotografia de casamento mas estamos sempre em busca do caminho senão não faria qualquer sentido. Eu criei-o… O mundo em que eu estou agora, em termos de fotografia, é um patamar mais exigente. Chega e acontece. É mais difícil criar esse caminho. Se o conseguir é um objectivo alcançado se não conseguir vão-se fazendo experimentações.
O que pretende dar de si no projecto VogueNoiva?
A minha visão. A visão que eu tenho da fotografia. E a visão não é eterna, altera-se. Neste momento tenho uma visão das coisas e tenho a minha própria visão do casamento. Hoje sei que a liberdade criativa é muito importante para um fotógrafo.
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