Aos colegas por Hélio Paulo Félix – Fundação Dr. António Cupertino Miranda

Texto e opinião de Hélio Paulo Félix

Venho aqui reflectir um pouco sobre a fotografia actual, sobre os caminhos da fotografia de hoje, no entanto quero que fique esclarecido desde já que este texto não passará apenas da minha opinião, humilde opinião.

No passado dia 3 estive e por convite de algumas empresas do sector da fotografia nacional, e nomeadamente de uma empresa de software, dizia, estive em um seminário/colóquio sobre o tema da fotografia digital, realizou-se na cidade do Porto, mais concretamente no auditório Fundação Dr. António Cupertino Miranda.

Durante a viajem de regresso, entre o Porto e Lisboa tive tempo suficiente de ir reflectindo um pouco sobre tudo aquilo que disse (e que ficou por dizer) e que consistiu a minha participação e a minha opinião tornada pública naquele dia e naquele auditório perante todos os fotógrafos lá presentes, e também em conversas individuais com cada um.

Devo dizer que me passou inúmeras coisas pela minha cabeça e durante o tempo que a viajem durou, mas a grande linha mestre que é por onde eu quero começar, e o difícil será mesmo saber por onde começar, o grande pensamento que me ficou e a ideia que me foi transmitida por tudo o que ouvi por colegas meus, fotógrafos presentes foi….

“O digital está ai…. e agora qual o caminho….”

O digital está ai, a fotografia digital está ai, e não será de agora, pelo menos desde uns 4 anos, isto de uma forma mais profissionalizada, e ai penso que haverá muitos poucos profissionais a não acreditar nesta realidade, embora ainda existam alguns profissionais que teimem em não acreditar, e quando assim o é, na minha opinião será apenas uma perda de tempo, o tentar não ver a realidade, será também o ficar para trás em uma área que avança a uma velocidade que nunca se verificou neste sector, o sector da fotografia.

Mas deixando estes casos que não são significativos no universo dos profissionais, coloca-se outra questão para quem já entendeu que o caminho é o digital e que o modelo de negócio tem de ser mudado.

Na minha humilde opinião penso que todos os profissionais que estavam e continuam a estar dedicados ao retalho da fotografia tenham de repensar muito bem nos caminhos a seguir, não podendo nós profissionais nos queixar que está tudo mal e a culpa é do país e da crise.

Vamos repensar o que andamos a fazer, tem-se de repensar no modelo de negócio.

Caros colegas, a culpa é nossa, é vossa, é minha e é de todos nós que andamos neste sector, e devo dizer que eu o ando por gosto, por gostar de fotografar, embora com todas as dificuldades que me tem surgido no caminho como é do vosso conhecimento, se não de todos de uma grande maioria, mas como eu já li em algum lugar e a frase não é minha ” cada pedra que vou encontrando no meu caminho, apenas me serve para ir construindo as minhas muralhas e o meu castelo, e cada pedra a mais no meu caminho, mais forte me vai tornando”.

A minha opinião é que quem está no retalho da fotografia terá de mudar de conceito, acreditar mais nas novas tecnologias de forma a chegar mais longe que a sua rua, a sua cidade, pois cada vez mais concorremos na chamada “aldeia global” e neste aspecto sinto que ainda existe muitas duvidas de alguns profissionais, , alguma ou muita resistência.

Já não se pode conceber algo a pensar na nossa rua, na nossa aldeia, na nossa cidade, teremos de pensar a nível global, e o primeiro passo no meu ver será aderindo as novas tecnologias e as possibilidades que estas nos permitem, especialmente a internet.

Hoje em dia ter um site na internet faz parte(ou deveria fazer) de qualquer fotógrafo que queira sobreviver neste mundo e a esta velocidade, depois vem o produto que nos irá fazer sobreviver, e ai existem dois caminhos já vincados, um que é a reportagem e um outro que é o trabalho pessoal, quando eu digo pessoal, é com o cunho pessoal, as fotografias de estúdio, no entanto estes terão que ser trabalhos de grande qualidade, pois uma outra regra que se impôs no mercado, é a qualidade, todos nós estamos mais exigentes como clientes, e só temos de esperar que os nossos clientes o também assim o sejam, o que na minha opinião a exigência dos nossos clientes é óptima, pois obriga-nos a evoluir, obriga-nos a ter um trabalho e portfólio de uma qualidade superior, pois até a bem pouco tempo o mercado da fotografia era um espasmo, onde nada se passava, onde existiam centenas, milhares de fotógrafos “velha guarda” que tinham o mesmo trabalho, os mesmos produtos, a mesma forma de olhar.

A opção de trabalho para o cliente era quase única, a não ser o profissional que iria realizar o trabalho, pois sempre faltou formação, quer técnica, quer de gestão, e aqui também me incluo(gestão), pois uma da grandes falhas de qualquer modelo de negócio será a falta de profissionais que tenham algumas nocções de gestão, a não ser aquela gestão imediata e tão característica de nós portugueses.

Hoje em dia já se começa a ter uma nova geração de fotógrafos, novo sangue no mercado, onde se me permitem me poderei incluir, são novos fotógrafos que entram no mercado com formação, nomeadamente vindos das escolas de fotografia, podendo nomear o Instituo Português de fotografia, o I.A.D.E. , Arco, além de várias acções de formação ditos workshops que vão acontecendo um pouco por todo o lado, no entanto e no meu ver acho que ainda são insuficientes.

Desta nossa nova geração de fotógrafos tem aparecido bons talentos, bons profissionais o que veio elevar em muito o trabalho que se fazia em fotografia em Portugal, o que só poderá ser visto de uma forma positiva, tanto para nós profissionais da fotografia, bem como para os nossos clientes, para quem espera um trabalho de qualidade da nossa parte quando contrata cada um de nós e nos dá essa confiança, responsabilidade e oportunidade de se mostrar o nosso trabalho.

Assim e para todos aqueles que comigo participaram no auditório da Fundação Dr. António Cupertino Miranda, e também para todos os outros que possam vir a ler esta minha opinião, deixo-vos esta ideia, não percam mais tempo a lutar contra algo que inevitável, essa luta só vos atrasa mais e à velocidade que o sector está andar, cada minuto é importante, acreditem e apostem nas novas tecnologias, na inovação, isto claro está aliado a um trabalho de excelência e de grande qualidade, pois só assim farão o vosso trabalho chegar a um numero maior de potenciais clientes bem como será a única forma de sobreviver neste mundo, o belo mundo da fotografia.

Abraço a todos e continuação de bom trabalho.

Hélio Paulo Félix

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~ por felix em Outubro 5, 2007.

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