Por entre “Tristão e Isolda”

Desde 1170 são numerosas as obras literárias que fazem eco da lenda céltica de Tristão, personagem lendário da isolda1Bretanha, modelo medieval do cavaleiro enamorado.

A história de Tristão é marcada por tragédias, dizia-se que ele nunca foi visto sorrindo, a começar por seu nascimento, onde seu pai é morto em batalha, perdendo o reino de Lionesse, e sua mãe morre no parto. Graças a estas tragédias, ele recebe o nome de Tristão.
Entre as versões mais célebres figuram a de Thomas da Bretanha e a de Gottfried de Estrasburgo, que daria origem ao drama musical em três actos, com libreto em verso e música de Richard Wagner.
No pequeno porto irlandês de Wexford, onde se encontrava Tristão e seus companheiros ancorados, um cruel dragão aterrorizava os habitantes. O rei Gormond prometera dar a mão de sua filha Isolda em casamento ao valente cavaleiro que matasse o dragão.
Tristão aceitou o desafio e enfrentou o dragão numa perigosa luta, finda a qual, após a morte da besta, cortou-lhe a língua, para servir de prova perante o rei, guardando-a no seu sapato. Ao regressar, porém, desfaleceu, pois a língua do dragão possuía um poderoso veneno.
Ao passar pelo local da luta, o mordomo-mor do rei Gormond deparou-se com o cadáver do monstro e aproveitou-se da situação. Cortou-lhe a cabeça e, após apresentá-la ao rei, reclamou a mão de Isolda, que cortejava havia muito tempo.
Isolda que o não desejava como marido, desconfiou da sua coragem. Com sua mãe foi ao local do combate e ali encontraram Tristão desfalecido.
Levaram-no para o palácio e, durante vários dias, cuidaram dos seus ferimentos. Isolda ao limpar a espada de Tristão, verificou que faltava um pedaço. Comparando a lâmina com um pedaço de metal que, retirado do crânio de seu tio Morholt, fora guardado por ela como relíquia, verificou que as partes se encaixavam perfeitamente. Tristão era sem dúvida o procurado assassino de seu tio, mas, como só ele poderia provar a impostura do mordomo-mor, Isolda seguindo os conselhos da mãe resolveu poupá-lo.

Ao saber que Tristão a pedia em casamento em nome do seu tio, o rei Marcos da Cornualha, Isolda mergulhou em profunda melancolia, mas decidiu acompanhá-lo. A rainha, que desejava a felicidade da filha ao lado do rei Marcos, confiou a uma criada uma poção mágica que os noivos deveriam beber juntos na noite de núpcias. Essa bebida, preparada à base de ervas, uniria o casal por um sentimento tão profundo que eles não poderiam sobreviver sequer a uma semana de separação.
No decorrer da viagem, porém, a criada por engano serviu a poção mágica a Tristão e Isolda. Daí em diante, nada mais poderia separá-los.

Tristão não ousou revelar a verdade ao tio, e o casamento de Isolda com o rei Marcos foi celebrado. Mas todos os dias Tristão encontrava-se com Isolda secretamente, num jardim, junto ao palácio ou mesmo nos aposentos da rainha. Apesar de todas as precauções, os barões descobriram os encontros e denunciaram a Marcos. Surpreendidos pelo marido traído, os dois amantes foram condenados sem julgamento a serem queimados vivos.
Ao longo do caminho que levava à fogueira, comprimia-se uma multidão entristecida. Ao passar diante de uma capela construída na beira de uma falésia, Tristão desejou rezar. Como os seus guardas haviam desamarrado as mãos, conseguiu escapar e precipitou-se no vazio, mas salvou-se ao agarrar-se a uma pedra que sobressaía no paredão. Em seguida, pulou para a praia e fugiu. Mais adiante, o seu escudeiro Gorneval esperava-o com cavalo e armas. Em seguida libertou Isolda.
Durante três anos, viveram escondidos na floresta. Tristão fez um arco, com o qual nunca perdia a presa, e Gorneval construiu uma cabana de galhos e troncos.
Um dia, o rei Marcos descobriu o esconderijo e encontrou Tristão e Isdolda adormecidos, abrigados no simples casebre. Sentiu pena daqueles corpos tão magros, que os andrajos mal cobriam. Anunciou que estava disposto a receber Isolda de volta na corte, mas Tristão deveria partir para longe.
A poção mágica já tinha perdido o efeito fazia muito tempo, mas Tristão e Isolda continuavam amando-se. Desolado teve de embarcar para a Armórica.
Na pequena Bretanha, Tristão colocou-se ao serviço do rei Hoel, tornando-se amigo de seu filho, o cavaleiro Kaherdin. Com o passar do tempo, Tristão pensou que poderia esquecer Isolda casando-se com outra mulher. Desposou a irmã de Kaherdin, que também se chamava Isolda e era conhecida como a Isolda das Brancas Mãos. Mas a lembrança da loura Isolda jamais abandonou Tristão, o que não passou despercebido aos olhos da esposa.
Quando está preste a morrer de uma infecção causada por uma seta envenenada, manda uma mensagem, implorando que Isolda da Irlanda viesse até ele e ordena que no retorno do barco, deveria estender velas brancas se a trouxessem e negras se ela não viesse.
Quando as velas brancas são vistas horizonte, a sua esposa Isolda das Brancas Mãos, louca de ciúmes, enganou Tristão, que já se encontrava enfraquecido demais para enxergar, dizendo que eram negras. Angustiado Tristão morre. Ao chegar, Isolda, a loura, viu o corpo de Tristão estendido na praia, não resiste e cai morta junto ao amado.
Os dois foram enterrados lado a lado. O rei Marcos ordenou que se plantasse uma roseira selvagem no túmulo de Isolda e uma videira no de Tristão. Ao crescer, as duas plantas enrolaram-se uma na outra.
Há quem diga, pelas semelhanças, que a lenda céltica do Rei Artur e da sua Távora Redonda se baseia na lenda de Tristão e Isolda

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~ por felix em Abril 19, 2009.

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