Hélio Félix / O cinema e eu….. ( o Papel do Realizador)

Os três processos criativos básicos do cinema são a redação do argumento, a produção e a realização. Estas diferentes tarefas podem ser executadas por uma, duas, três pessoas. Poderá existir mais do que um escritor ou argumentista e é provável que os produtores sejam vários, mas já é improvável e até estranho que se realize um filme de valor contando com mais de um realizador.

Enumeremos, pois, o registo das várias categorias:

1. Realizador

2. Produtor

3. Produtor/Realizador

4. Argumentista / Realizador

5. Argumentista / Produtor

6. Argumentista / Produtor / Realizador

Como é óbvio, a mesma pessoa pode ter tido uma expriência diversa nas múltiplas categorias acima mencionadas.

Tal como o comandante de um navio que tenha a bordo o seu proprietário, ou um chefe de orquestra que esteja ao mesmo tempo intimamente relacionado com o compositor, o realizador  deve possuir completa responsabilidade  da tarefe que se  propõe executar, apesar dos muitos possíveis «patrões» para os quais tenha de vir a trabalhar.

As interferências directas no decorrer das filmagens resultal geralmente desastrosas, do mesmo modo que seria contraproducente que, durante uma tempestade, o dono do barco se pusesse a dar ordens contrárias às emitidas pelo comandante, ou que o compositor saltasse para o pódium do maestro durante um concerto.

Alguns realizadores, sempre, outros apenas algumas vezes, ficam estritamente limitados ao papel de realizador, tal como o comandante de um navio ou o director de uma orquestra se cingem aos seus.

Na Realidade, isto foi o que aconteceu durante muitos anos à grande maioria dos realizadores de Hollywood. Na fase da elaboração do argumento, eram os produtores que controlavam os argumentistas e nas fases posteriores à filmagem eram ainda aqueles que controlavam a montagem, limitando assim o papel do realizador ao de mero técnico especializado que trabalha especificamente na rodagem do filme.

É no entanto verdade que, nalguns casos, era premitido ao realizador entrar na sala de montagm por um período relativamente curto, ma slogo que completasse a sua versão deixava de ter qualquer direito contratual ou poder reclamar no caso de a subsequente «montagem do produtor» resultar totalmente diferente . Esta situação verifica-se ainda hoje em dia nas grandes produções internacionais, embora de forma menos exagerada.

Por outras palavras, o papel do realizador varia consoante a possibilidade de vir a ser ele também o produtor.

As técnicas de base que se aplicam à realização  de qualquer tipo de produção cinematográfica sonora estão fundamentadas naquilo a que se convencionou chamar «o cinema»

O cinema existe já há bastante tempo e, por conseguinte, o acervo de conhecimentos e expriências adquiridos confere-lhe um grau de desenvolvimento mais extenso e mais completo do que o que foi possível ser acumulado até agora pelo «directo», gravado ou registado em cassettes electrónicas, pelas técnicas de televisão.

A maior parte das técnicas de base da realização é também aplicável a todas as formas de expressão audiovisual, qualquer que seja o seu sistema de captação, transmissão ou distribuição. Do ponto de vista criativo, os vários tipos de argumento são mais importantes do que os diferentes métodos de gravação e apresentação ao público: no entanto, tanto o formato como a composição e as condições de visualização por parte do público são factores a ter em conta.

O vasto fosso existente entre o cinema e a televisão, que os mais míopes julgavam existir, foi de certa maneira resultado de um acidente histórico. O cinema era mudo: incorporou-lhe o som. Existiam sistemas de difusão radiofónica: incorporaram-se-lhes as imagens.

Como era de prever, estes meios de expressão foram-se associando progressivamente à medida que se ampliava a utilização da «linguagem» sonora cinematográfica. A partir de determinado momento, o cinema beneficiou de alguns desenvolvimentos técnicos levados a cabo pela televisão – ou melhor, pelos recursos financeiros que as grandes estações de televisão trouxeram, tanto á indústria como aos serviços. Uma iluminação melhorada e que foi contando cada vez mais com uma maior mobilidade, equipamento modernos para as filmagens e a montagem e outros factores técnicos têm constituído uma ajuda importante, especialmente para o realizador de documentários ou de cinema underground.

No outro extremo, a indústria de cinema – tanto Hollywood como a internacional – reagiu perante o aparecimento da televisão visando outro tipo de objectivos: produções espectaculares, cada vez mais impressionantes, de maior duração e de melhor qualidade de som.

Surgem então vários sistemas anamórficos, novos formatos de película – mais largos, como o cinemascope, o Panavision, o 70mm -, o som estereofónico, etc..

Entretanto, a indústria televisiva – excepto no que se refere ao desporto, cerimónias e acontecimentos políticos – foi abandonando a mística que originalmente a caracterizava – a transmissão em directo – , ao ponto dequase todo o material de ficção e de grande parte do material de valor documental se encontrarem agora gravados em película ou banda magnética.

A montagen da banda magnética conta agora com meios técnicos que permitem uma grande percisão e flexibilidade. Por essa razão, «o teatro» e as «variedades» da televisão afastaram-se cada vez mais dos métodos teatrais para se aproximarem das técnicas próprias do cinema.

Por outro lado, para um programa que não ultrapasse uma hora, os custos de estúdio e respectivos ensaios com câmara são elevados, tendo-se por isso adoptado a prática de ensaiar o teatro televisivo fora do estúdio, durante várias semanas, e gravá-lo em seguida em apenas 2 ou 3 dias.

Além disso, o material para a montagem de televisão a cores é bastante dispendioso, e (ainda que cumpra ao memso tempo as funções de impressora das cópias síncronas) a concessão do tempo de montagem a um determinado realizador é bastante limitada.

Alguns filmes impressos fotograficamente são também realizados mediante técnicas televisisvas. A câmaras de cinema são equipadas com vários Split-beam (sistemas ópticos que, por reflexão de espelhos ou prismas, transferem a imagem captada pela objectiva da câmara de cinema para uma câmara de televisão de pequenas dimensões, sendo daí conduzida para visores electrónicos) ou outros sistemas por meio dos quais a imagem obtida através do seu visor reflex ou seu equivalente é transferida para uma câmara de televisão, o que permite o seu controlo por um monitor e a sua gravação, geralmente paar eventuais playbacks ou outros usos.

Nestes casos, a produção será rodada segundo as normas televisisvas, utilizando-se uma técnica de câmaras múltiplas, o que terá a vantagem de o filme ficar praticamente pré-montado, já que durante a filamgem as câmaras trabalharam alternadamente. A outra opção a ter em conta é a de usar as câmaras em simultâneo e efectuar posteriormente a montagem do filme. Qualquer dos métodos pode ser aplicado sempre que  for tido como o mais apropriado para a realização.

É óbvio que no futuro virão a ser empregues outros métodos de gravação, como, por exemplo, o termoelectrônico.

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